Tibialização da fíbula para reconstrução de defeitos tibiais segmentares
DOI:
https://doi.org/10.63162/v67n70e26714Palavras-chave:
Tíbia, Fraturas expostas, Tibialização da fíbula, Fixador de Ilizarov, Salvamento de membro, Defeito ósseo segmentarResumo
Introdução: A tibialização da fíbula, descrita inicialmente por Hahn e consolidada por Huntington, é uma técnica reconstrutiva utilizada no tratamento de grandes defeitos segmentares da tíbia. Trata-se de uma alternativa biológica autóloga, especialmente útil em situações nas quais métodos convencionais, como enxertos ósseos extensos ou transporte ósseo isolado, apresentam limitações. Em fraturas expostas graves, particularmente Gustilo-Anderson IIIC, a reconstrução representa um desafio significativo, exigindo abordagem multidisciplinar e criteriosa seleção do paciente. Objetivo: Relatar e analisar o primeiro caso de tibialização da fíbula realizado no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (HEANA), destacando sua aplicabilidade no salvamento de membro após trauma de alta energia com perda óssea extensa. Relato do Caso: Paciente vítima de acidente automobilístico apresentou fratura exposta gravíssima da tíbia esquerda (Gustilo-Anderson IIIC), associada à lesão vascular e defeito ósseo segmentar de aproximadamente 12 cm. O manejo inicial incluiu fixação externa provisória, fasciotomia, revascularização e múltiplos debridamentos. Após cobertura adequada de partes moles, foi realizada osteotomia da fíbula com transposição gradual utilizando fixador circular de Ilizarov. O tratamento evoluiu com revisões cirúrgicas, transporte ósseo complementar, enxerto tricortical autólogo e consolidação progressiva. Posteriormente, foi necessária artrodese do tornozelo devido a sequela de pé equino rígido. Conclusão: A tibialização da fíbula associada ao método de Ilizarov constitui alternativa eficaz para salvamento de membros em fraturas expostas graves com defeitos segmentares extensos. O caso reforça a importância da abordagem estagiada e multidisciplinar, demonstrando viabilidade da técnica no contexto hospitalar brasileiro, mesmo em cenários de altíssimo risco de amputação.
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