Análise da variabilidade da frequência cardíaca durante a internação hospitalar em pacientes com lesão medular
DOI:
https://doi.org/10.63162/v69n73e26724Palavras-chave:
Determinação da frequência cardíaca, Traumatismos da medula espinhal, Doenças do sistema nervoso autônomo, Fenômenos fisiológicos cardiovasculares, Medula espinalResumo
Introdução: A lesão medular (LM), especialmente em níveis cervicais e torácicos altos, compromete a regulação autonômica cardiovascular, resultando em alterações da frequência cardíaca (FC) e da resposta a estímulos posturais. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é um método não invasivo para avaliar essa modulação. Objetivo: Analisar a VFC em pacientes adultos com lesão medular durante a internação hospitalar, comparando indivíduos com lesão acima e abaixo de T5 em diferentes posições corporais. Metodologia: Estudo observacional transversal, realizado nas enfermarias de um Hospital de Urgências de Goiás, com indivíduos ≥18 anos, de ambos os sexos, diagnosticados com lesão medular. A VFC foi registrada por meio da cinta cardíaca Polar H10, em decúbito dorsal a 0° com elevação da cabeceira a 60°, durante 5 minutos. Os dados foram analisados no software Kubios HRV. Foram avaliados RR médio, FC média, RMSSD, SDNN, razão LF/HF e o índice não linear DFA α1. Os participantes foram estratificados conforme o nível da lesão (acima e abaixo de T5). A análise estatística foi realizada no IBM SPSS Statistics 26, utilizando-se os testes de Wilcoxon e Mann–Whitney U, adotando-se p < 0,05. Resultados: Participaram do estudo 33 indivíduos, predominantemente do sexo masculino, com idade média de 35 ± 14 anos. Em decúbito dorsal (0°), pacientes com lesão acima de T5 apresentaram RR médio significativamente reduzido (p = 0,025), FC média elevada (p = 0,026) e menor complexidade autonômica avaliada pelo DFA α1 (p = 0,041) em comparação ao grupo abaixo de T5. Durante a elevação da cabeceira a 60°, essas diferenças permaneceram para RR médio (p = 0,013) e FC média (p = 0,014), associadas a alteração significativa da razão LF/HF (p = 0,030) e redução mais acentuada do DFA α1 (p = 0,005), indicando menor adaptabilidade autonômica nos indivíduos com lesões mais altas. Conclusão: Pacientes com lesão medular de T5 apresentam maior disfunção autonômica cardíaca e menor capacidade adaptativa frente à mudança postural durante a internação hospitalar.
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